Pedro Fracassi é um dos fundadores do Inhouse, um servidor de partidas particulares. Tudo acontece no Discord e com um bot, que junta os jogadores, acha a partida e ainda faz um rank, entre os jogadores. No dia 30 de julho, foi anunciada a parceria entre o Inhouse e a Riot Games.

Esports GG, conversamos com Pedro Fracassi sobre a criação do Inhouse e a parceria com a Riot Games. Confira a seguir como foi a conversa.

O sistema de Inhouse era algo há muito tempo comentado pelos jogadores profissionais de League of Legends, principalmente por todos os problemas que a SoloQ gera. Como foi o processo de criação do que conhecemos como Inhouse?

O sistema que usamos pro Inhouse veio lá da Europa, e foi desenvolvido pelo Tolki, analista da Fnatic, para ser usado por lá. O Tolki disponibilizou o bot para que qualquer pessoa pudesse utilizar e modificar, e foi o que fizemos. Pit (Felipe “Pit” Alves) entrou em contato comigo e me chamou pra colocar o bot pra funcionar pro Tier 3, onde ele era analista na época. Colocamos para funcionar e fui fazendo algumas mudanças para que o sistema funcionasse melhor, como a criação automática das salas e tal. Com o tempo foi crescendo, e o Jockster (atualmente da FURIA, mas na época era da INTZ) veio falar com a gente pra fazer uma versão pros jogadores do CBLOL, e foi o que fizemos!

Aproveitando a primeira pergunta, como foi o seu caminho com a programação de bots no Discord? Dizem que você aprendeu a programar sozinho, como foi isso?

Meu pai e minha mãe são da área de tecnologia, e eu programo desde pequeno, tanto que quando me perguntam eu nem sei dizer quando comecei. Sempre fui apaixonado por tecnologia e computadores, e aprendi a programar por curiosidade. Quando eu era menor, jogava Minecraft, que permite fazer muita coisa com programação, então eu tinha meu próprio servidor em que eu mesmo programava as coisas. Fazia também coisas com Arduino e Raspberry Pi, que meus pais me davam pra brincar.

Eu programo bots para o Discord praticamente desde o dia que criei conta na plataforma. O primeiro bot que eu fiz foi o Deku (o nome é por causa do personagem principal de My Hero Academia, que eu assistia na época), lá em 2017. O código-fonte ainda está disponível para quem quiser dar uma olhada (acesse aqui). Depois do Deku, eu me juntei com alguns amigos pra fazer o Switchblade, um bot faz-tudo que desenvolvemos em grupo, com uma equipe bem grande de desenvolvedores, tradutores, um monte de coisa. Depois tive alguns projetos menores, como o Amongcord, e depois veio o Inhouse em si.

Depois da criação, vem um dos pontos mais importantes: a divulgação do seu trabalho. Hoje em dia, sempre vemos pro players, principalmente do LoL, jogando Inhouse em live ou até em off. Como foi o processo de chamar as pessoas para jogar e demonstrar como o seu trabalho é confiável?

Depois que o Jockster chamou a gente pra fazer com o pessoal do CBLOL, ele mesmo tuitou convidando a galera, então meio que tendo a confiança dele acabamos ganhando a confiança do resto da galera, que foi entrando pra jogar, gostando, e chamando mais gente. Foi um processo bem orgânico, eu diria.

Quando lidamos com diversas pessoas, sempre existem alguns problemas no percurso. No Inhouse, não deve ser diferente. Como é o seu processo de administrar esses problemas? Existe uma equipe por trás disso?

Sim, temos uma equipe para moderar os servidores, principalmente o Inhouse Open, que conta com uma equipe enorme de moderadores e “ajudantes”, que seguram uma barra enorme por lá, auxiliando os jogadores e tendo certeza de que tudo está funcionando bem. No PRO, por ser uma escala menor, somos só eu, Pit e a namaria, e conseguimos lidar com os assuntos de lá tranquilamente. O pessoal de lá é mais “comportado”.

Agora focando na parceria, a FURIA foi a sua ponte e mentora, como você disse antes. Como foi a conversa com a Riot? Você conseguiu aquilo que estava buscando para os seus servidores?

O pessoal da FURIA que mediou a conversa pra gente, até o momento que firmamos a parceria. O Jaime, CEO da Furia, foi nosso mentor do início ao fim, trazendo vários insights legais para montarmos o projeto que apresentaríamos pra Riot. Acredito que conseguimos o que queríamos, que era um Inhouse PRO que fosse benéfico para toda a comunidade e que abrisse portas pra galera. Essa parceria vai servir pra isso.

O que o público pode esperar dessa parceria? Como é algo inovador, ficamos maravilhados. Mas ainda não entendemos o que isso trará de resultados para a comunidade que assiste.

A Riot está apoiando o Inhouse PRO de diversas formas, e esse apoio passa por suporte financeiro e tecnológico, além de estarmos levantando os pontos onde a Riot pode auxiliar a evolução do projeto em termos de interfaces, informações e até mesmo planejamento de iniciativas que possam vir a ser implementadas no futuro como novas oportunidades para o cenário de Esports. Com esse apoio, a gente consegue fazer várias coisas que não conseguimos antes, como premiar a galera que joga no PRO, para incentivá-los ainda mais. O Inhouse continua sendo um projeto independente, então a Riot não tem nenhuma exclusividade sobre o projeto ou a operação.

Agora que o seu trabalho está ficando cada vez mais sério, como vai ficar o gerenciamento dos servidores que você administra? Pensa em começar a delegar algumas funções ou ainda planeja administrar tudo de perto?

Eu quero ficar o mais próximo possível, embora com o tempo vá ficando cada vez mais difícil, conforme o projeto cresce. Quando realmente for necessário, vou ter que começar a delegar algumas coisas sim. Não dá pra fazer tudo sozinho pra sempre! Como eu disse, no Open já temos uma equipe de moderação que faz grande parte do trabalho por lá.

Quais são as novas ferramentas que você espera levar para o Inhouse e que irão ter um impacto direto em quem está jogando por lá? Você acha que essas novas ferramentas vão continuar chamando um número maior de jogadores?

Quero trazer muita coisa nova pro site, tanto para melhorar a experiência de quem gosta de acompanhar o Inhouse, quanto pra galera que joga por lá. Nas próximas semanas, aproveitando que a janela de transferências vem aí, quero permitir que os jogadores adicionem mais informações sobre si nos perfis do site, para facilitar a vida dos scouts que venham a procurar jogadores na plataforma. Também quero colocar uma função de replay no site, para que quem gosta de aprender com as partidas possa baixá-las e assistir direto no cliente.

Existe algum recado ou informação especial que você deseja deixar aos leitores?

Obrigado a todo mundo que acreditou e ajudou no projeto até aqui, prometo que ainda tem muita coisa legal por vir. Aos jogadores, continuem jogando e se dedicando ao Inhas! Tem bastante gente de olho em vocês!

Se quiser conhecer mais do trabalho feito por Pedro Fracassi e sua equipe, é só acompanhá-lo em seu Twitter. O Inhouse trabalha, atualmente, com o League of Legends e VALORANT. Existem os servidores abertos, femininos e os PROs (onde os jogadores profissionais jogam).

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*Matéria feita em conjunto de João Vitor Costa

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Lucas Bauth -

Lucas Bauth

Lucas Bauth, redator e analista de esports, com foco em jogos como Valorant, League of Legends e TFT. Experiência em portais como Globo Esporte e passagem em times de esports.