O Esports GG Brasil conversou com o Maestro, treinador da FURIA, em preparação para o começo do CBLOL 2022.

A primeira etapa do CBLOL 2022 está prestes a começar e, por isso, o Esports GG Brasil fez uma entrevista com Lucas “Maestro” Pierre, o técnico da FURIA que comandará a reformulação dos Panteras no League of Legends. Ele defendeu a INTZ por cinco anos e conquistou dois títulos de CBLOL com a organização. Em 2022, ele lidera uma FURIA que é cotada por muitos como favorita ao título.

Na entrevista, Maestro falou sobre como está sendo trabalhar com o elenco que conta com Francisco “fNb” Braz, Filipe “Ranger” Brombilla, Bruno “Envy” Farias, Lucas “Netuno” Flores e Ygor “Redbert” Freitas. Além disso, ele comentou sobre como foi o bootcamp na equipe na Polônia, as expectativas para sobre a volta do presencial e sobre o novo formato do CBLOL, entre outros temas. Confira. 

E.GG: Você passou cinco anos na INTZ e viveu vários altos e baixos por lá. Desde brigar contra o rebaixamento até os dois títulos que conquistou com a organização. Como está sendo a transição para um novo time?

Maestro: Esse início de line up era algo que eu estava realmente curioso para saber. Por conta dos nomes que a gente tem, por conta da estrutura toda que tem, da esperança de todo mundo dentro desse time, da expectativa. Eu acho que o tempo que a gente passou na Polônia no bootcamp foi muito interessante porque deu pra ter uma noção mais profunda sobre a convivência, a personalidade de cada um. O Bernardo ajudou a gente lá, acompanhou a gente, fez atividade com a gente, ele que é nosso performance coach e mind coach. Então foi um trabalho bem legal de primeiro diagnóstico. 

Então, o que eu posso te dizer é que eu tenho grandes expectativas nesse time. É um time que tá aprendendo a ser uma equipe e fazer coisas de equipe. Nenhuma equipe sai fazendo isso do nada, então a gente ainda tem que aprender muita coisa, o que é bom. Ao mesmo tempo é uma equipe de jogadores que sabem o que estão fazendo. Então é muito comum, por exemplo, nos treinos, tanto lá fora quanto aqui, a gente estar numa situação esquisita no treino, uma situação ruim e mesmo assim a gente fazer boas lutas, e mesmo assim virar um jogo que tá difícil de ganhar na qualidade individual dos jogadores. 

É uma qualidade que cada um desses jogadores tem e que dá ainda mais uma sensação de responsabilidade minha de dar uma união para eles. Porque eu tenho certeza que esses cinco talentos juntos, unidos e pensando a mesma coisa, eles podem atingir grandes coisas.

O Maestro tem uma grande história na INTZ com o Envy e o Redbert. Como está sendo para você trabalhar novamente com eles, agora na FURIA?

Maestro: Trabalhar com o Envy e o Redbert é uma coisa que eu, particularmente, já gostava muito. Todas as peças daquela INTZ eram pessoas que não eram só grandes profissionais, mas eles vieram a ser meus amigos também. Então o Ygor e o Bruno são meus amigos. E mais do que isso, o Redbert é um profissional não só muito talentoso, mas ele é um cara super disposto a aprender a se adaptar. Então ele é um cara que eu estava muito ansioso para trabalhar com ele de novo. Porque, além dele ser uma pessoa com um diferencial, de ser uma pessoa com muito talento, com muita noção de jogo, que nasceu realmente pra jogar, ele é um cara que escuta muito feedback. 

Ele faz muito bem para o ambiente, ele é um cara que desestressa os outros jogadores, que mantém as pessoas em uma boa vibe. E eu acho que eu me dou bem com esse tipo de pessoa porque eu também sou mais assim. Então eu puxo mais pra esse lado. Claro que na minha posição eu tenho que ser mais duro em situações que são necessárias, mas ele é um grande aliado para mim também dentro de jogo. 

E o Envy é um dos caras mais obsessivos em relação a competição. Ele é um cara que quando tem alguma coisa que ele acha que pode melhorar ou que não tá bom o suficiente, ele vai correr atrás disso o tempo todo. E eu tenho certeza que independente do grupo que ele esteja, demore o quanto demorar, ele ainda vira uma referência de exemplo. Então é o que eu espero dele nesse time também. 

Na INTZ você teve um papel de formar e lapidar jogadores.Você acha que pode assumir um papel parecido com o Netuno, que é uma jovem promessa?

Maestro: Eu acho que na INTZ eu tinha um trabalho um pouco diferente. Como a filosofia de trabalho era um pouco diferente lá, a gente tinha um trabalho meio diferente de pegar pessoas que tinham um talento puro, um talento para ser lapidado, começar desde o beabá. E aqui na FURIA, mesmo com um grupo com uma mescla entre pessoas mais novas com pessoas mais experientes, ele é um menino que tem muitas boas noções sobre o jogo já. Eu estou começando a trabalhar individualmente com ele agora sobre pontos que ele pode oferecer para o time dele, como teammate.

Mas ele pega as coisas muito rápido. Então foi meio como se fosse uma pré-seleção. O fato da gente ter pegado jogadores muito bons individualmente, que tem essa inteligência no jogo faz com que o aprendizado seja muito rápido. Então o Netuno é o mais novo e o que mais tem a aprender, mas ele é um dos que aprende mais rápido. Eu tô muito feliz com o que o Netuno vem apresentando. Desde lane phase, ele e o Redbert chegaram tendo dificuldades com as botlanes europeias e eles foram pegando o ritmo, foram melhorando. No final do bootcamp eles já estavam batendo de frente com todo mundo e aqui no brasil é a mesma coisa. 

Eu acho que a gente está criando um ritmo muito forte, eu estou realmente me sentindo sortudo de ter esse grupo na minha mão agora e sentindo uma grande responsabilidade porque eles realmente são pessoas incríveis.

Maestro com elenco da INTZ – Foto: Bruno Alvares e Pedro Pavanato

A FURIA voltou recentemente de um bootcamp na Europa. Qual foi o maior diferencial desse bootcamp na sua visão?

Maestro: Eu acho que o bootcamp na Polônia foi muito proveitoso para nós nesse início de time. Por ser 20 dias na Europa, eu acho que não vai ser aquela coisa que a gente fala ‘nossa, vai trazer um milhão de estratégias’ e tal, mas acho que esse nem é o ponto. Os dois maiores ganhos na minha opinião foi principalmente a convivência, saber lidar um com outro, saber entender a personalidade um do outro, porque quando a gente se entende fora de jogo, isso reflete fortemente dentro de jogo. Então saber da rotina do cara, saber o que o cara tá confortável, saber como ele reage a coisas ruins, a coisas boas, isso tudo é muito importante para o trabalho da staff. Então, eu acho que pra eles mesmo foi muito bom, já quebrar o gelo, agora eles já estão bem mais unidos entre eles. 

E o segundo maior ponto que eu acho que foi positivo foi começar tomando porrada, eu acho que a gente já começou sabendo que ia ter dificuldade. Porque, por se tratar de um grupo muito forte, às vezes a gente faz um trabalho positivo quando a gente não fez um trabalho coletivo tão bom. E isso pode ser perigoso para um time que não sabe se dar mal ou do porquê (se dar mal). A gente apanhou bastante lá fora e foi bom porque a gente teve várias reflexões sobre isso. 

Vamos dizer assim: esse foi um time que foi forjado sabendo perder, sabendo absorver na derrota. Então, o que eu espero desse bootcamp é eles justamente lembrarem disso quando vier algum revés. Eles lembrarem que não é o fim do mundo e que a gente tem coisa pra tirar e absorver disso.

Neste split, o CBLOL volta a ser presencial. Este elenco da FURIA tem vários jogadores com bastante experiência em stage, e também conta com Netuno que ainda não passou por isso. Como você avalia o impacto dessa mudança nos jogadores?

Maestro: Eu espero que dê tudo certo pra fazer o presencial. A gente tá passando por um momento chato de novo, mais um momento chato, já tá chato demais. Mas dando tudo certo e a gente podendo estar lá com segurança. Eu acho que a grande maioria das coisas vai ser positiva para nós. Porque nós já temos jogadores experientes, eles gostam da pressão, gostam da torcida, gostam da energia do presencial. Eu particularmente acho muito positivo para os jogadores. Você jogar e treinar de casa, depois que você experimenta o presencial é algo muito diferente, é uma sensação diferente. Eu estou muito ansioso pra começar logo, eu quero que comece logo o CBLOL. 

Em relação ao Netuno, eu acho que ele vai tirar de letra, a sensação que eu tenho é que ele vai tirar de letra. Vai dar um nervoso, assim como dá em todo mundo, mas é um nervoso gostoso, nervoso bom, que é pra ele aproveitar realmente, de estreia em palco e tal. Mas o menino é muito esperto, ele é rápido, ele absorve rápido a pressão. É um menino extremamente espirituoso, é um cara engraçado, é um cara muito good vibes. Eu acho que ele vai lidar muito bem 100%.

O CBLOL implementou o formato de dupla eliminação com chave superior e inferior nos playoffs. O que você achou dessa mudança? Acha que ela é positiva?

Maestro: Com esse novo formato do CBLOL, eu acho que afeta positivamente. Porque o que normalmente acontece na dupla eliminação e que a gente vê em outros campeonatos, é o que os melhores times têm mais chances de se provar nos playoffs. Então se acontecer de um dia ruim no playoff ou for surpreendido de alguma forma, você vai garantidamente ver aquele time mais de uma vez. 

Então é bem legal nesse sentido, e pensando no lado bom é que recompensa os times que mandam muito bem. Então os times que mandam bem no início vão jogar menos jogos para chegar numa possível final e os times que estão mais pra baixo vão ter a corrida deles. O que eu sinto na eliminação dupla, é que todos os jogos são importantes. Eu acho que isso traz uma vibe mais legal pra quem está assistindo de casa. Eu sinto essa vibe gostosa de que tem jogo que vale tudo pela eliminação e tem jogo que vale tudo pela vaga da final. 

Então é bem legal, não é uma degola rápida que o cara só joga daqui a três meses. E eu sou da opinião de que quanto mais jogos melhor, tanto pra quem tá em casa quanto pra nós. É mais experiência e mais treino e mais jogo oficial pra gente chegar bem em uma competição internacional.

Foto: Divulgação/FURIA

Em seu primeiro ano de existência, o CBLOL Academy revelou alguns talentos, como o próprio Netuno. Você estará de olho para possíveis promessas na FURIA Academy ou será foco total no time principal?

Maestro: A nossa ideia é que a nossa staff seja universal. Ela é uma staff de LoL, então ela é toda conectada, desde os trainees. A FURIA tem um programa de trainees para treinar pessoas até antes deles estarem assinados no academy. Garimpa talentos, conversa, puxa para o ambiente competitivo. Então desde os trainees, passando pelo academy, até o CBLOL, nós temos uma conversa constante. Nós temos um grupo dos treinadores, a gente vai ter reuniões semanais e mensais para falar de como estão as situações de cada uma dessas áreas e a gente vai trocar experiência. Tanto fazendo treinos internos quando possível, quanto também passando essas informações. Então a gente vai ter uma conversa muito grande. 

Vão ser dois times separados, mas a staff estará unida. Eu acho que essa é a parte importante, a gente vai estar absorvendo coisas um dos outros o tempo todo. Então a ideia é que seja algo bem universal. Nesse início, a gente ainda não conseguiu fazer, porque a gente não voltou com força total ainda. Infelizmente a Covid está dando uma atrasada em tudo. Mas assim que for possível a gente vai voltar, tanto o academy quanto o CBLOL vão treinar no mesmo office. Então a gente vai ter acesso um ao outro bem legal também. A ideia é que seja bem próximo.

Como você vê os outros times dessa primeira etapa? Acha que há equipes que possam surpreender?

Maestro: Acho que em relação aos times eu tenho um pré-diagnóstico. Eu não sei realmente o que se passa em cada um dos backstages. Se eu fosse chutar times que podem surpreender positivamente, eu acho que as pessoas estão dando muito pouco crédito pro Flamengo pelo fato deles terem subido boa parte do academy. Mas tem que lembrar que eles não subiram só os meninos novos, tem gente experiente dentro daquele grupo. Eles subiram a staff que também está trabalhando com os meninos há algum tempo. Então é um grupo muito unido já, esses times tem cara daqueles de circuito que sobem e mandam bem. Então eu apostaria primeiro no Flamengo para fazer uma boa campanha. 

E em segundo lugar, eu falei algumas vezes do time da Miners. Eu acho que o time da Miners é um time que tem uma boa staff e tem bons talentos juntos. Eu não sei como eles vão atuar em conjunto ainda, mas eu acho que o Croc é um excelente jogador, acho o Hawk um excelente jogador, então esse jungle/sup deles é muito interessante de ver. Em conjunto com o drop, anyyy e o top deles (DoRun) que eu não sei como vai atuar ainda, pode ser uma surpresa boa. Então eu deixaria essa vaga de surpresa para a Miners e talvez a Liberty. Vamos ver se a Liberty vai vir com uma boa estrutura desde o começo. 

Quais são as suas expectativas para a FURIA nesta primeira etapa do CBLOL 2022?

Maestro: Eu espero que a FURIA possa fazer uma boa estreia, eu acho que tem muita expectativa em cima dos meninos. Eu costumo falar pra eles que nem talento, nem expectativa vai vencer os jogos pra eles, e principalmente não vai vencer o campeonato. Então a gente precisa trabalhar duro, a gente precisa trabalhar muito forte. Já estamos trabalhando desde o mês passado, a gente teve a pré-temporada mais longa que eu já tive com um time, então isso é muito positivo. 

E eu espero que espero que a gente tenha bons diagnósticos. Eu acho que o que a gente pode esperar da FURIA é um time que se for bem, vai vencer seus jogos de forma muito boa. Espero que de uma forma organizada, ainda não sabemos. Mas se a gente vier a ter um revés e vier a perder, a gente vai ter uma equipe muito capacitada para poder diagnosticar isso, para poder evoluir o time. Acho que se tem uma expressão que vocês podem esperar da FURIA pra esse LoL de 2022 é evolução constante.

O primeiro split do CBLOL, com Maestro e FURIA, começa no dia 22 de janeiro e terá sua grande final em 23 de abril. A FURIA enfrentará a LOUD no jogo de estreia do torneio. O calendário completo com todos os confrontos da fase regular já está disponível.

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João Vitor Costa -

João Vitor Costa

| Twitter: @Nenaojao

Estudante de jornalismo. Começou recentemente na cobertura de esports e é especializado em League of Legends. Também se aventura no Wild Rift, Valorant e Legends of Runeterra.