O Esports.gg conversou com as duas jogadoras sobre suas carreiras no cenário competitivo de League of Legends.

Apesar de todas as dificuldades e barreiras impostas, o cenário competitivo feminino de LoL sempre se manteve vivo de alguma forma. Bárbara “Jime” Prado e Jessie “Jessie” Santos são duas jogadoras que conquistaram seu espaço dentro dele e ainda prometem alçar voos mais altos. 

As duas foram campeãs juntas do GirlGamer Esports Festival em São Paulo, ainda em 2019. O título deu classificação para um torneio mundial em Dubai, ocasião em que a equipe que elas representavam, Team Innova, ficou em terceiro. Atualmente, as duas jogadoras atuam apenas como streamers, mas almejam uma vaga no CBLOL Academy. Confira a entrevista.

Vocês poderiam falar um pouco de como foi o primeiro contato com o LoL?

Jime: Meu primeiro contato com o LOL aconteceu em 2012 quando ganhei meu primeiro computador e meus amigos me apresentaram ao jogo, foi o primeiro jogo online que eu tive a oportunidade de jogar porque até então só jogava no console. Desde então nos reuníamos nos finais de semana na casa de um de nós e cada um levava seu notebook pra jogar.

Jessie: Meu primeiro contato com o LoL foi na casa de uma colega onde nos encontrávamos para jogar card games, ela me apresentou o jogo e começamos a jogar diariamente, e até criar umas competições entre o pessoal.

Quando surgiu o interesse para competir profissionalmente? Houve em algum momento alguma pessoa que inspirou vocês para entrar no competitivo?

Jime: Meu interesse para entrar no competitivo de LOL surgiu em 2019 quando um time de Curitiba abriu seletiva feminina para uma equipe da região, naquela época eu já me espelhava muito nas meninas que já estavam no cenário feminino como a Yatsu e a Liz, e jogava no time universitário da faculdade que cursava na época.

Jessie: O interesse surgiu quando o cenário feminino foi começando, quando houve a seletiva do projeto Sakura com a INTZ que revelou a Mayumi e a Yatsu. Desde então eu sempre quis competir. Inspiração para entrar no competitivo eu tenho poucas até, mas com certeza o Minerva e a Remilia. 

Em determinado momento, vocês montaram o time Gatos de Juliette e a line-up foi contratada pela Team Innova. Esse time foi campeão do GirlGamer Esports Festival de 2019. Como foi essa experiência e o que isso significou para vocês?

Jime: Acredito que a parte mais marcante desse evento foi poder provar o nosso potencial assim que entramos para o cenário. O time tinha apenas três meses e foi nosso primeiro campeonato juntas, além de ser minha estreia no competitivo feminino, então foi uma experiência incrível que tivemos ao jogar nosso primeiro presencial e de ser uma equipe desconhecida que se tornou uma campeã em dois dias de torneio. Individualmente foi uma grande conquista na minha carreira como jogadora, na época do presencial em São Paulo eu ainda estava cursando minha faculdade e a conquista da vaga no mundial em Dubai foi o ápice para a minha decisão de trancar o curso e seguir jogando LOL profissionalmente.

Jessie: Foi surreal jogar em stage e ter torcida, pessoas na plateia torcendo por ti, jogar em um lugar com uma estrutura absurda. (Foi) muito boa a experiência e significa uma grande conquista na minha carreira.

Jime

Esse título deu classificação para um torneio mundial em Dubai, no qual a Team Innova ficou em terceiro lugar. Qual foi a sensação de jogar um torneio internacional?

Jime: A sensação de viajar para fora do país e poder representar a América do Sul num torneio internacional era algo que não parecia real, eu me sentia dentro de um conjunto de diversas emoções e com certeza foi uma experiência única. Foi incrível poder conhecer um país com uma cultura tão diferente da que vivemos no Brasil e ainda compartilhar tudo com jogadoras de times de outras regiões como Europa e Ásia.

Jessie: Incrível, viajar para fora do Brasil para competir foi muito legal. Conhecer outras jogadoras de outras culturas, pisar em solo internacional com intuito de competir. (Tenho) muito orgulho disso.

Nesse período vocês trabalharam com o Halier e o Abaxial, dois técnicos que já treinaram grandes times do CBLOL. Novamente, como foi essa experiência? Vocês sentem que evoluíram como jogadoras?

Jime: Acredito que o fator mais importante para nossa evolução, não só como jogadoras, mas como pessoas dentro do time, foi a presença e confiança que ambos os técnicos tiveram durante os meses de preparo. O acompanhamento diário durante os treinos ajudou o time a criar uma personalidade dentro de jogo e desenvolver individualmente as jogadoras apresentando a diferença de ambiente entre solo queue e competitivo. Eles nos ensinaram tanto fora de jogo quanto dentro, como planejamento da rotina, técnicas de respiração e meditação para manter o foco, etc.

Jessie: Acredito que o Halier nos ensinou muito sobre o jogo e o macro, ele fez a gente reaprender a jogar League. E o Abaxial nos ensinou a ter disciplina como pessoa e jogador, seguir rotinas, bater metas. 

Vocês duas já manifestaram interesse em jogar o CBLOL Academy e também têm jogado o Inhouse Pro. Vocês acham que o Inhouse ajuda os novos jogadores e jogadoras que pretendem ingressar no CBLOL?

Jime: O Inhouse Pro foi uma iniciativa muito boa, acrescentou muito para a comunidade de LOL que tem interesse em entrar no competitivo. Acredito que hoje se algum jogador ou jogadora queira ter destaque entre todos que estão num alto nível na fila ranqueada, deve focar em apresentar uma boa imagem e gameplay no Inhouse e lembrar de absorver o conhecimento daqueles que já tem mais experiência dentro do jogo.

Jessie: Acredito que o Inhouse ajuda muitos dando a oportunidade de jogar com pessoas experientes no cenário, trocar conhecimentos e ter uma base de como é jogar competitivo de verdade. Isso ajuda muito aos novos talentos chegarem no CBLOL, e até mesmo para não chegarem crus na organização.

Por fim, vocês gostariam de deixar uma mensagem final?

Jime: Queria dizer para todos que tem interesse em jogar competitivamente, seja no cenário feminino ou misto: coloquem vocês acima de tudo enquanto estiverem lutando por isso, manter a saúde física e mental sempre deverá ser uma prioridade, por mais que não seja visível no presente, a longo prazo pode fazer uma grande diferença.

Jessie: A mensagem que eu queria deixar é: meninas e meninos que tentam o competitivo, não pensem só no jogo, pensem na sua imagem. Em como você se porta em redes sociais e até mesmo dentro de jogo. Faça seu trampo, se empenhe em todas as áreas e mantenha muito sua mentalidade estável.

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*Matéria realizada em colaboração com João Vitor Costa

Bruno Martins -

Bruno Martins

| Twitter: @yo_brunoM

Jornalista. Na cobertura de esports desde 2018 e especializado em jogos de FPS como CS:GO e Rainbow Six.