Esports.gg conversou com as jogadoras da Gamelanders Purple, depois da conquista de mais um título, dessa vez pela VALORANT Game Changers, confira.

As meninas da Gamelanders Purple conquistaram o seu 8o título no VCT Game Changers Brasil Protocolo: Gêneses. A equipe, que foi contratada em janeiro deste ano, conta com as jogadoras:

  • Ana “naxy” Beatriz;
  • Paola “drn” Caroline;
  • Paula “bstrdd” Naguil;
  • Natália “daiki” Vilela;
  • Natália “nat1” Meneses
Gamelanders-CAMPEÃ-VCT

Numa entrevista com as jogadoras Ana “naxy” Beatriz e Paola “drn” Caroline, conhecemos um pouco mais sobre o cenário que está em uma incrível ascensão. Além disso, conversamos também com a Letícia Motta, comentarista de VALORANT pela Riot Games.

A Gamelanders Purple faturou o seu oitavo título, uma marca bem impressionante no mundo dos esports. Na sua visão, ao que se dá essa sequência tão grande de títulos? Existe alguma receita para o sucesso?

drn: “A receita é realmente treino, não tem muito segredo. Quem está próximo de nós, sabe como fez diferença quando o time começou a ter entrosamento. Estamos evoluindo bastante e tentando nos adaptar ao máximo com os novos metas do jogo. Mudamos nossa forma de treinar, mudamos composições, mudamos preferência de mapa. Acredito que isso também dificulta a leitura dos times adversários.”

naxy: “Há muito esforço e dedicação de cada um dentro da equipe. Manter essa constância já não é uma coisa fácil porquê todos os times no cenário vêm evoluindo muito. Ainda assim, procuramos sempre evoluir e melhorar a cada dia, para não cairmos no comodismo.”

Sabemos que o cenário feminino nos esports, muitas vezes, possui pouca visibilidade por parte da mídia. Como está sendo para vocês serem protagonistas de um jogo que valoriza o cenário feminino?

drn:  “Durante o campeonato saíram alguns conteúdos da Riot com os times femininos e o resultado foi mais de 10 mil pessoas assistindo a final. Isso só prova que os investimentos estão dando certo e o quanto pode crescer. É incrível fazer parte disso, por muito tempo achei que estivesse longe da minha realidade. Mas estou aqui, realizando um sonho.”

naxy: “Bem, acredito que estamos mostrando bons resultados com todo esse apoio. Isso só ajuda a provar ainda mais e reforçar que esse investimento e incentivo é totalmente necessário para podermos competir sempre em alto nível e poder competir sempre de igual para igual.”

Como funciona o relacionamento entre vocês, jogadoras da Gamelanders Purple, com a Riot? Existe um alinhamento entre os campeonatos que vem sendo oferecidos e as expectativas de vocês?

drn: “É um bom relacionamento. O VCT Game Changers foi extremamente bem organizado, nunca tinha visto esse nível de profissionalismo. Acho que foi tudo um pouco além da nossa expectativa. E agora o parâmetro só aumenta!”

naxy: “Nunca vivi um cenário competitivo onde a empresa apoiava o competitivo feminino, então isso tudo para mim é muito novo e vem sendo incrível. Tirando o fato das datas serem apertadas e termos pouco tempo de descanso entre um campeonato e outro. Mas isso não acontece só no cenário feminino. Digo, entre o cenário feminino e o misto que as agendas ficam bem apertadas para nós. Fora o calendário, todo apoio e investimento vêm superando minhas expectativas.”

Muitos outros campeonatos vêm por aí e o cenário está em constante crescimento. Vocês acreditam que veremos uma grande movimentação por parte de outras organizações com lines femininas?

drn: “Com certeza! O investimento da Riot no Game Changers foi um convite às organizações. Não acho que elas vão, nem deveriam, ignorar. Com certeza há grandes nomes sondando a comunidade e agora é o momento perfeito para investirem.”

naxy: “Acredito que sim. Acho muito bom que algumas organizações já vêm investindo em times novos. Mas, ainda temos muitos times com grandes potenciais e muito sólidos que estão sem organização para representar. O que me choca um pouco, pois o cenário vem em uma crescente muito boa e constante.”

Com esse alto desempenho que vocês vêm mostrando, vocês se vêem conseguindo uma vaga no VCT num futuro próximo?

drn: “Pés no chão sempre. Mas é algo que queremos muito. Caímos sempre um jogo antes da primeira MD3 pra classificatória, com jogos bem pegados em placar. Faltou experiência em alguns momentos, coisa que estamos pegando cada vez mais, então vamos atrás dessa vaga com certeza.”

naxy: “Sim e estamos trabalhando duro para isso. Estamos treinando intensamente para chegarmos muito fortes nesse VCT e queremos muito essa vaga. Nossas expectativas são as melhores possíveis, mas sempre mantendo os pés no chão. Porque é muito difícil.”

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Paola “drn” Caroline – Fonte: Twitter
No caso de uma disputa nas qualificatórias pelo VCT, vocês iriam continuar com a line inteiramente feminina ou pensariam em mesclar o time, fazendo uma composição mista? 

drn: “Existem algumas regras em campeonatos oficiais sobre dois times em uma mesma organização, então acho que isso não seria nem possível. Mas de toda forma, hoje a lineup só muda se alguém quiser sair por vontade própria, independente de resultados ou campeonatos.”

naxy: “Não pensamos em fazer alterações de time, nem nunca chegamos a cogitar isso. Independente se for homem ou mulher, nossa line é essa e não pretendemos mudar. Mas do futuro ninguém sabe.”

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Ana “naxy” Beatriz – Fonte: Twitter
Por fim, qual o recado que vocês querem deixar para os torcedores da Gamelanders Purple?

drn: “Aos fãs, vocês são os melhores do mundo!”

naxy: “Acredito que essa seja uma das partes mais importantes para mim. Agradecer ao meu público e as pessoas que acompanham e gostam da GL Purple, nós devemos muito a vocês porquê sempre estão com a gente. Nos momentos bons e ruins, estão sempre torcendo e vibrando a cada round e isso nos dá força para vencer. Só tenho a agradecer todo carinho e amor que recebemos. Vocês são INCRÍVEIS. Muito obrigada, amo vocês.”

A jogadora drn ainda nos falou sobre o relacionamento que as jogadoras da Gamelanders Purple possuem com seus pais, por conta de seguirem o caminho dos esports.

drn: Eles sabiam que eu gostava de jogar. Então, como toda família tradicional, falavam muito sobre estudar algo na área. Mas eu queria mesmo é ser jogadora e eles não entendiam muito bem como funcionava. Quando teve o anúncio do lançamento de Valorant ano passado, prometi que aquele ano seria minha última tentativa. Se não rolasse, eu começaria a faculdade e eles concordaram. E aí deu muito certo, hoje me apoiam e entendem que é meu trabalho, torcem pelo time e tudo mais. É bem gostoso

Alguns não entendiam a dimensão, mas todos ficaram felizes por nós. As meninas sempre mandam a transmissão para a família acompanhar e, em troca, o time todo recebe carinho deles, antes e depois do jogo acabar. A bstrdd (Paula “bstrdd” Naguil, jogadora chilena da equipe) colocou o áudio que recebeu do pai dela gritando muito quando o jogo acabou. Estava em espanhol, ninguém entendeu muito, mas a energia foi incrível.

Letícia Motta – Fonte: Liquipedia

Por fim, conversamos com Letícia Motta que, além de fazer um trabalho fenomenal como comentarista de VALORANT nas transmissões oficiais, participa ativamente de projetos com o público feminino.

Como você vê o crescimento do cenário competitivo feminino do VALORANT, em comparação aos outros jogos competitivos.

Letícia Motta: “Primeiro, acho importante pontuar que estou muito orgulhosa do que as mulheres conquistaram no Valorant, em tão pouco tempo. O jogo fez um ano de vida e já teve seu primeiro grande campeonato, com uma premiação altíssima e muita valorização da Riot e da mídia como um todo.

Acredito que isso aconteceu porque o jogo já nasceu num cenário mais igualitário. Se fosse há 10 anos atrás, acredito que a história poderia ser diferente. Felizmente vivemos tempos em que a preocupação pela inclusão e visibilidade, assim como representatividade é bem maior. Sendo assim, acredito que o VALORANT tem o cenário feminino mais promissor de todos os esports e espero muito que um dia possamos ver algumas jogadoras alcançando de fato o competitivo “misto”, já que essa é a proposta.

A ideia é premiar e dar a mesma atenção que se dá ao cenário “misto”, visando um espaço seguro e saudável para que mulheres possam sonhar em seguir a carreira de jogadoras profissionais.”

Enfim, não deixe de acompanhar o VCT Challengers Brasil, que começa dia 3 de julho. As transmissões serão realizadas nos canais oficiais do VALORANT Brasil, na Twitch e no Youtube, sempre a partir das 17h.

Além disso, siga as redes sociais da Gamelanders Purple para saber mais sobre o time e os próximos campeonatos, seja no Twitter ou no Instagram.

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*Matéria realizada em colaboração com Lucas Bauth