O mid laner da RED Canids conversou com a imprensa no último fim de semana de CBLOL.

Daniel “Grevthar” Xavier foi uma das grandes revelações do CBLOL no último ano. O mid laner assumiu a titularidade da RED Canids nos playoffs do segundo split de 2021 e foi campeão brasileiro com a Matilha. Este ano ele continua jogando pela RED e divide posição com Adriano “Avenger” Perassoli, jogador que era titular da equipe.

Grevthar falou sobre como é a relação com o companheiro de equipe e reiterou que não existe conflitos entre eles.

Grevthar: “Eu não tenho nenhum problema (sobre dividir posição com Avenger). Eu sinto que o jogador que se põe em uma situação de conforto ela já não é um jogador de verdade. Ele está ali só para estagnar e nunca melhorar. Então, não importa se eu tivesse o Avenger, o Hauz, o Tinowns ou o Faker, o que quer que seja, porque acho que aqui dentro isso nem existe. O Avenger e eu somos mid laners da Red Canids e ponto final. 

Sempre tentam fazer esse joguinho de criar uma intriga entre a gente, enquanto aqui a gente só tá rindo. E quando eu tô em campo ele também está um pouco. Porque muita coisa ele me ajudou, e muita coisa eu ajudo ele. Então, ambos os mid laners vão estar dentro de campo querendo ou não. Então, não me incomoda, eu fico feliz. Ele é meu amigo também, somos próximos, então não me importo com isso. Eu, sinceramente, estou feliz com o time que eu tenho. Somos um time de seis jogadores, e vamos continuar assim.”

Avenger no Worlds 2021 – Foto: Wojciech Wandzel/Riot Games

No último final de semana, a RED Canids quebrou a invencibilidade da KaBuM depois de vencer os Ninjas no domingo. Grevthar já havia dito no programa do CBLOL Tropas Liberadas, que gostaria de enfrentar Hauz na rota do meio. Ele comentou sobre o confronto durante a coletiva.

Grevthar: “O Hauz é um jogador muito bom na fase de rotas. Eu conheço ele há muito tempo também, então eu já sabia desse estilo dele. Jogar contra caras assim é muito melhor para mim. Porque, querendo ou não, quando eu jogo contra mid laners que não tentam me sobrepujar, que não tentam impor o ritmo deles, eu acabo meio que desleixando. Então, por eu ter ido lá para fora e tinha esses caras que colocavam o dedo na minha cara e sempre tentavam extrair o melhor de mim, é bom voltar ao Brasil e ver que tem gente que tenta se assimilar a este estilo. Claro que não vai ser a mesma coisa que os jogadores lá de fora, mas tentam se assimilar. O Hauz é um deles na minha opinião. 

Então, hoje eu senti que eu lidei muito bem, mesmo ele tentando me pressionar eu senti que meu micro estava em dia. Hoje eu tava ‘on fire’, digamos assim. Foi muito divertido jogar contra ele, espero jogar um playoff contra ele, uma melhor de cinco, o que quer que seja, mas estou satisfeito sim com minha gameplay de hoje. Sinto que ele mostrou o nível dele, nada acima, nada abaixo, era algo que eu esperava. Eu sabia que eu conseguia controlar, eu sabia que conseguia dar a volta por cima em qualquer situação.”

Mesmo depois de se sagrar campeã do CBLOL na última etapa, a RED Canids chegou a não ser cotada como um dos times favoritos no primeiro split do CBLOL 2022 por parte da comunidade. Grevthar deu sua opinião sobre por que isso aconteceu.

Grevthar: “Eu não sei dizer por quê. Talvez seja por nosso estilo de jogo meio diferente das outras equipes. Esse estilo de jogo que é rápido, que é agressivo, que tenta sempre estar em cima do jogador adversário, que foi algo que a gente aprendeu lá fora. Então, às vezes acaba incomodando muita gente, porque é algo diferente, é algo que só a gente faz, é algo que também demanda um micro bem elevado para poder executar. Desde a época do playoff, a gente acabou sentindo isso. A gente ganhou do Flamengo e era por sorte e tinha ganhado da Vorax por sorte também e foi indo assim até o Mundial, quando as equipes começaram a olhar a gente com bons olhos e a torcida também. 

Mas nesse split em específico, mesmo a gente tendo perdido, eu sinto que jogamos o nosso jogo, tentamos impor o nosso jogo que a gente sempre vai querer impor. Claro que vamos errar, fase de pontos é para isso, o que o importa são os playoffs. A gente tem que chegar lá, obviamente, vamos dar nosso 100%. E sabemos que esses erros são coisas que a gente pode melhorar. Mesmo que outras equipes ou outros torcedores falem que talvez a gente não seja favorito, eu sinto que aqui dentro a gente é muito unido e a gente não liga para isso. A gente só quer melhorar e o foco é voltar lá para fora e fazer mais bonito.”

RED Canids erguendo a taça de campeã da última etapa do CBLOL – F

Durante a coletiva de imprensa, Grevthar também exaltou seus companheiros e mostrou estar empenhado para ser campeão novamente e fazer uma performance melhor nas competições internacionais.

Grevthar: “Fico feliz da gente ter mantido a line que eu julgo ser a melhor do Brasil. Eu tenho o melhor top, o melhor jungler, o melhor AD e o melhor suporte do Brasil. Eu digo isso como um sorriso no rosto, muito feliz. Eu não poderia estar em um lugar melhor, porque é o lugar mais competitivo. É o lugar que eu sei que eu consigo voltar lá pra fora, que iremos conseguir voltar lá para fora como equipe e fazer ainda mais bonito, porque o nosso trabalho foi incompleto. 

Mas nesse começo, a única coisa que me importa e que vai sempre me incomodar é se a gente tá jogando do mesmo jeito que a gente tava jogando lá fora. A gente aprendeu muita coisa lá fora, a gente aprendeu um jogo agressivo. O estilo de jogo era o mesmo, mas em uma velocidade diferente. A galera lá jogava de um jeito sufocante e não deixava você respirar. Talvez pelas equipes brasileiras não jogarem tanto dessa forma, o que é natural porque a gente joga em um campeonato que é um circuito fechado só entre a gente, talvez a gente se perca nisso. Esse é o meu maior receio e é isso que eu vou estar sempre combatendo, para a gente jogar do mesmo jeito que a gente jogou. E mesmo que a gente esteja perdendo, mas evoluindo, eu vou estar feliz. É o nosso foco. Nosso foco não é mais o aqui, mas também jogar bem lá fora, eu acho que é o importante.”

Jogadores da RED Canids no Worlds 2021 – Foto: Wojciech Wandzel/Riot Games

A qualidade das filas ranqueadas brasileiras já foi apontada várias vezes como um dos motivos para o Brasil não se consolidar como região competitiva em relação às outras. Grevthar deu seu ponto de vista sobre o assunto.

Grevthar: “Sobre como resolver, eu não consigo dar essa resposta, eu não tenho a capacidade de achar uma solução. Vai ficar para quem é mais inteligente que eu nesse aspecto. Mas do meu ponto de vista, eu só sei que eu vou fazer o meu, sabe. Uma frase que o Perkz já falou uma vez é que a solo queue é parte de você como pro player, da sua carreira. É onde você pratica, mesmo que ela seja boa ou ruim. Eu vou sempre do princípio de que quanto mais eu estou jogando melhor. Eu vou ser sempre o jogador que talvez não seja o mais talentoso possível, mas eu vou tentar ao máximo tentar me equiparar com dedicação e meu esforço. 

Por isso que não importa se a solo queue está ruim, eu vou sempre tentar alcançar o topo da solo queue brasileira, vou estar sempre jogando o máximo que eu posso. É isso que eu posso te dar, a minha parte, é o meu papel. Eu acho que mesmo quando ela pode ser julgada como algo ruim. Ou como uma solo queue horrível, ou o que quer que seja, foi por ela que eu virei pro player, e não é porque eu virei pro player que eu vou abandoná-la. Eu ainda tenho a mesma gana e a mesma vontade de quando eu tinha 15/16 anos de idade e peguei challenger pela primeira vez. Não é porque eu virei pro player, que eu fui campeão que isso vai mudar de alguma forma. Se eu deixar que isso me mude, eu não vou ser mais quem eu era, eu vou deixar de ser quem eu sou.

Então o meu eu vou fazer, sobre como vai ajeitar ela eu não sei, eu não tenho essa capacidade de te dizer. Mas o que eu acho que eu posso fazer, eu tento fazer. Influenciar meus teammates a jogar mais, é assim que eu acho que eu consigo me manter no topo.”

O CBLOL volta a ser disputado no próximo sábado (5) a partir das 13h. A transmissão acontecerá nos principais canais oficiais do CBLOL na Twitch, Youtube e Nimo TV.

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João Vitor Costa -

João Vitor Costa

| Twitter: @Nenaojao

Estudante de jornalismo. Começou recentemente na cobertura de esports e é especializado em League of Legends. Também se aventura no Wild Rift, Valorant e Legends of Runeterra.