O treinador da LOUD conversou com a imprensa após serem derrotados pela Rensga nos playoffs.

No último fim de semana foram disputados os primeiros confrontos dos playoffs. LOUD e Rensga se enfrentaram na primeira chave das quartas de finais, os Cowboys se classificaram para as semifinais ao vencer a Tropa de 3×0. Mesmo com um split de altos e baixos, a LOUD vinha bem cotada para os playoffs por conta da experiência do elenco e porque fizeram uma MD5 muito disputa contra a paiN Gaming no split anterior.

Durante as coletivas, Gabriel “Loreviz” Loureiro falou sobre a performance da LOUD nas quartas de final e comentou sobre a trajetória da equipe neste ano como um todo.

Ao longo da série, a LOUD teve oportunidades para tomar controle das partidas mas acabaram sendo punidos pela Rensga. O que pesou mais para o time não ter performado o que se espera?

Loreviz: Como você falou, a gente teve muitas oportunidades, sim. Com exceção do primeiro jogo em que eles foram superiores e dominaram completamente a partida. Acho que no jogo dois e no jogo três, inclusive, nós tivemos bons momentos, algumas boas tomadas de decisão. Eu acho que o erro ficou mais em algumas decisões que ficaram fora da nossa zona de conforto. A mudança do Enel torna o time muito mais agressivo, foi por isso que a gente fez a mudança, foi isso que foi trabalhado nos treinos. 

Chegou no stage e; não sei ainda exatamente o motivo, ainda vou precisar rever essa série desde o início; nós tomamos algumas decisões que não eram costumeiras nossas de treino ou costumeiras até do próprio campeonato, com algumas lutas que nós não costumamos comprar. Então, eu acho que nós mesmos nos colocamos em algumas situações bem desconfortáveis, eu diria.

A LOUD planeja fazer algum bootcamp? Ou pretendem se disponibilizar para treinos com as equipes classificadas?

Loreviz: A gente havia cogitado algumas hipóteses, obviamente não pensando em um final de split precoce, mas de usar essas duas semanas entre os jogos de alguma maneira, ou até dependendo de quando fosse a nossa passagem para o Mundial, tentar fazer uma pausa em algum lugar antes pra fazer um pequeno bootcamp, até depois do Mundial. Infelizmente, isso é realmente muito complexo porque a pandemia dificultou muito o planejamento para isso. Então, não temos um bootcamp previsto pela frente. Eu acho que a nossa primeira preocupação é sempre olhando primeiro para dentro. Então, realmente é muito complexo e eu entendo que as outras equipes vão tentar manter treinos. 

Nossa prioridade, primeiramente, é o Academy, nós ainda temos outro campeonato pela frente. Nosso foco será em ajudar a equipe academy, disponibilizar toda a comissão técnica e jogadores para ajudar de uma forma mais individual. E aí então depois, a gente vai conversar ao longo dessa semana, ver qual será o planejamento para as próximas, se manteremos alguns dos nossos treinos, se vamos nos disponibilizar para treinar com as equipes vão ficar até a final. Isso é uma coisa que a gente fez no split passado de certa forma, a gente disponibilizou os jogadores e a gente teve alguns treinos com a Vorax, teve alguns treinos com a paiN na semana da final deles, então eu acho que é algo que deve acontecer de novo, só não sei dizer ainda exatamente em que formato. 

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Qual é sua avaliação geral desse primeiro ano da LOUD no CBLOL?

Loreviz: Com certeza é um ano mais positivo do que negativo, eu acho que a gente teve diversos problemas que são normais em uma org nova. Apesar da gente ter uma comissão e jogadores muito experientes, a LOUD é uma organização que opera de formas distintas. É uma organização muito voltada para conteúdo e para gestão de projetos, muito mais do que outras organizações mais tradicionais. Então, a gente teve alguns momentos de adaptação e de encontrar caminhos e processos novos dentro da nossa metodologia de trabalho. Na nossa comissão, nós ainda não havíamos trabalhado juntos.

Então, apesar de acreditar que nós fizemos um bom trabalho e encontramos realmente um caminho e uma comissão forte e coesa, óbvio que isso é uma coisa que demandou muito tempo ao longo deste ano. Acredito que o ponto principal é: nós encontramos muitas coisas boas que fizemos e alguns processos muito bons, e encontramos alguns processos que julgávamos ser muito fortes e obviamente não se provaram ser tão fortes assim porque senão a gente teria ganho. 

Então, acho que aprendemos bastante com este ano, a gente construiu uma base muito sólida pro ano que vem. A exemplo da FURIA, as orgs demoram um certo tempo para achar um caminho. Então, acho que no nosso primeiro ano nós encontramos bons processos, é só olhar o que a gente fez de certo e manter para o ano que vem, e o que fizemos de errado, trabalhar em cima disso.

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A LOUD voltou a treinar para esse segundo split mais cedo do que as outras equipes, e mesmo assim acabou fazendo um split “igual” ao anterior. Por que você acha que isso aconteceu?

Loreviz: Se colocar “igual” no quesito tabela eu concordo, realmente tivemos um resultado igual. A gente teve um período em que todo mundo falava que era “a crise na verdinha”, não foi um período de crise mas foi uma época em que a gente encontrou problemas externos a org, alguns jogadores da equipe tiveram problemas pessoais que impactaram na equipe. Obviamente, eles tiveram todo o suporte da comissão e dos seus próprios colegas para poder resolver esses problemas, mas afetou nosso começo de campeonato.

Tivemos certos jogos que custaram posições melhores logo no primeiro turno devido a isso. Para o segundo turno, eu acho que a gente fez uma mudança muito boa, a questão daquele 7-0 que emplacamos. A gente fez uma run superior a do primeiro split, nós tivemos jogos mais dominantes, alguns confrontos mais parelhos contra oponentes que foram sólidos. Eu acho que foi um pouco melhor a nossa run do segundo split apesar do resultado ser igual.

Quanto a questão de começar cedo, acho que isso fez com que a gente encontrasse alguns problemas de anteriormente, nós resolvemos muito cedo algumas coisas problemáticas do final do primeiro split. Apesar de ter sido uma ideia que foi boa e funcional para a equipe, foi um experimento. 

Foi algo que nunca foi feito no Brasil, um time voltar a treinar tão cedo assim. Então encontramos pontos bem problemáticos nessa questão, acho que podemos fazer algo similar no próximo ano, voltar a treinar um pouco antes das outras equipes, talvez não com uma antecedência tão grande e adaptando alguns processos. Nosso problema foi realmente de levar o treino para o campeonato. Treinamos bem, nos mostramos uma equipe  coesa nisso, mas chegamos no campeonato e falhamos em tomar certas decisões em alguns jogos importantes.


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*Matéria realizada em colaboração com João Vitor Costa

Bruno Martins -

Bruno Martins

| Twitter: @yo_brunoM

Jornalista. Na cobertura de esports desde 2018 e especializado em jogos de FPS como CS:GO e Rainbow Six.