A equipe de Dota 2 da SG Esports falou com o Esports.gg sobre a classificação histórica para o The International 10

A SG Esports comentou em entrevista sobre a classificação histórica no cenário brasileiro e mundial de Dota. No último domingo (27), o time se tornou a primeira equipe com elenco totalmente brasileiro a se classificar para o The International 10 (TI10), o campeonato mundial da modalidade.

O Esports.gg conversou com os jogadores Costabile4drTavothiolicor e KJ, além do manager China, da SG Esports para falar sobre o feito histórico. A equipe comentou sobre o caminho para o TI10 e as dificuldades dentro e fora dos servidores. Confira:

Como vocês se sentiram quando a classificação foi confirmada?

SG Esports: O sentimento foi de dever cumprido. Não fizemos a melhor jornada nas ligas da 1ª e 2ª temporada do DPC SA, mas estávamos bastante confiantes da nossa preparação pro qualifier do TI. A emoção tomou conta de todos nós, pareciamos estar todos na mesma página. Players, coach, staff, parecia uma família e um time de verdade.

“Na LAN não tem isso. É olho no olho e a cada bom momento nosso, vamos gritar e mostrar como é nos enfrentar em LAN!”

SG Esports sobre torneios em LAN

Vocês enfrentaram problemas de ping durante os treinos e preparação para o TI10?

SG Esports: Atualmente, como estamos na GH em Fortaleza, temos muito problema de ping pro Peru. No primeiro jogo, jogamos com 120-130 de ping e não havia como resolver. Nos servidores brasileiros e americanos, pegamos basicamente o mesmo ping de 80-90, então pra gente é mais tranquilo. Mas, durante os treinos, a gente basicamente treinou com times norte-americanos e participamos de um campeonato contra os peruanos para saber o que a gente poderia pegar na classificatória.

Qual a expectativa agora que disputarão um torneio em LAN, sem problemas de ping?

SG Esports: Torneio em LAN sempre é a sensação. Você enfrentar de igual pra igual, sem ter problema com ping, é a melhor coisa que queríamos. Jogar na desvantagem afeta muito nosso jogo, erramos coisas bestas que não podemos e que podem até custar o jogo. Na LAN não tem isso. É olho no olho e a cada bom momento nosso, vamos gritar e mostrar como é nos enfrentar em LAN.


“Indescritível”, diz China, manager da SG Esports, sobre a classificação

O manager da equipe, Paulo “China” Fong, falou um pouco sobre a sensação de fazer parte da história do Dota no Brasil. Além disso, comentou sobre a mudança de ritmo para a classificatória sul-americana após uma performance ruim da SG na classificatória do mês de maio.

Sem dúvida é um feito histórico para o Brasil. É a primeira vez que uma equipe totalmente brasileira joga o The International. Como é fazer parte da história do competitivo de Dota no Brasil?

China: Indescritível! Uma coisa engraçada, que eu tinha falado pra minha esposa Roberta, era que a minha meta do ano de 2020-2021 era ser o primeiro manager de um time 100% brasileiro no TI. Realizar isso foi algo que me emocionou muito no dia da final. E para todos nós, é apenas o início dessa história, queremos fazer mais do que isso, classificar é apenas o primeiro passo para eternizar na história brasileira a nossa jornada no TI.

Como foi o processo interno para mudança de ritmo entre o classificatório que aconteceu em maio e o de agora?

China: Mudamos muita coisa. Primeiro de tudo foi uma imersão de Dota. Todos aqui estavam focados, ficávamos praticamente das 13h às 22h só pensando em Dota e o tempo que sobrava entre intervalos, a gente se comunicava com os outros. Além disso, nos afastamos das redes sociais, tivemos conversas diárias para melhorar a sintonia entre a gente, além do acompanhamento do nosso psicólogo e o coach do time. Manter a rotina de treinos com os acompanhamentos foi fundamental, muita gente pensa que nossa preparação era só jogar, mas envolve muita coisa além disso. Estarem todos na mesma página, jogar todo mundo no mesmo ritmo é o mais difícil – a gente conseguiu fazer isso e deixar o nosso time 100% pronto para qualquer adversário.

SG esports

Sobre a imersão, a equipe da SG comentou durante a entrevista o fato de estar em Gaming House (GH) desde janeiro deste ano e como isso afetou o dia-a-dia e os resultados.

Vocês estão em Gaming House desde janeiro. Como é estar longe de casa há tanto tempo? Quão importante foi esse período juntos para esta classificação?

SG Esports: Foi difícil demais. No começo, você ainda se acostuma com as coisas, mas a convivência é bem complicada. Cada um tem seu jeito, suas manias e suas vontades. Encaixar isso tudo numa casa, mesmo que grande, é bastante complicado. Tem dias que você quer somente jogar seu Dota, treinar e ficar no seu canto. Mas aqui a gente sempre se topava em algum cômodo, então era bem difícil. Ficar longe da família e dos amigos é bem complicado. Mas o lado bom de ficar aqui é que você se mantém focado o tempo todo e, no final das contas, essa união ajuda a puxarmos uns aos outros para sempre evoluir.

Ficar todo mundo junto, seja numa GH ou num office, é importantíssimo para o time como um todo. Quando a gente estava planejando a classificatória, preferimos nos manter aqui pra evitar possíveis distrações e qualquer outro tipo de problema. Acho que foi essencial nos manter aqui unidos e focados com o mesmo objetivo.

Ficar longe da família e dos amigos é bem complicado. Mas o lado bom de ficar aqui é que você se mantém focado o tempo todo e, no final das contas, essa união ajuda a puxarmos uns aos outros para sempre evoluir.

SG Esports sobre período de treinamento na GH

Na line titular da equipe está o jogador Otávio “Tavo” Gabriel, que jogou o TI em 2018 pela equipe da paiN Gaming. O jogador falou sobre essa oportunidade de disputar novamente um mundial.

Otávio “Tavo” Gabriel, jogador de Dota 2, hoje na SG Esports- Image: Todd Gutierrez/Beyond the Summit

Como é voltar a disputar um TI pelo Brasil? O que você pode passar para seus companheiros nessa experiência, que é nova para eles?

Tavo: Não há palavras para demonstrar esse sentimento. Dei um break em 2020 e corria o risco de não jogar por nenhum time. Quando me chamaram novamente, senti que era a hora de dar tudo de mim nessa oportunidade. Quando ninguém acreditou em mim, eles acreditaram. E já mandei o recado pra todo mundo: quando eu fui pro TI, senti que não dei meu máximo, nesse TI quero escrever história com eles do meu lado! A gente tem que chegar lá e nem se importar que é o TI, temos que mostrar do que somos capazes e onde queremos chegar. Vamos dar nosso melhor sempre, dia após dia, jogo após jogo.


A SG Esports também comentou sobre as dificuldades durante a caminhada, que não foram poucas, dentro de um cenário pouco incentivado, rumo ao TI10.

Quais foram as principais dificuldades nessa caminhada rumo ao TI10?

SG Esports: Tivemos muitas! Foi uma montanha russa de emoções, problemas, alívio, uma loucura! Na primeira season do DPC, pensamos que iríamos nos classificar para o Major, mas acabamos tropeçando pra Egoboys e ficamos em 3º. Além disso, tivemos a troca do Kingrd com o Tavo. Fomos muito criticados por isso, mas achávamos que era melhor a volta da line original antes do Kingrd. Pensávamos que os problemas tinham acabados e aí na segunda season do DPC, fizemos uma campanha muito ruim e não tínhamos muitas forças para seguir. Pensávamos em mudar de line, trocar um player por outro. Foram muitas coisas. Mas, no final, decidimos nos manter unidos, focamos em consertar nossos erros e decidimos que íamos dar o nosso melhor sempre, não importando o adversário.


Quanto a preparação a partir de agora para o mundial, os jogadores comentaram que o ideal seria um bootcamp na Europa. Mas, com a situação do COVID, isso fica impossibilitado. O que resta é estudar e treinar para enfrentar os metas Europeu e Chinês.

Como é a preparação para enfrentar metas tão específicos iguais ao dos cenários europeu e chinês?

SG: A gente estuda muito esses caras. Talvez eles sejam a referência no Dota 2 atualmente, então a gente tem um tempo de análise de gameplay com nosso coach Mangusu. Ai a discutimos entre a gente o que podemos fazer de melhor para jogarmos bem contra eles. É tudo um processo – envolve treinos, pubs e análise. O dia se torna bem pesado quando a gente junta tudo isso e esse foi o processo que nos levou até o TI. Por isso, devemos continuar pra todo mundo se manter na mesma página.

Quanto aos brasileiros que lutam pelo cenário brasileiro e sul-americano de Dota 2, a equipe da SG Esports também deixou um recado:

SG: Tenham foco, muita perseverança e acreditem nos seus sonhos. A gente lutou muito tempo e se dedicou ao máximo. Procurem sempre estar perto de pessoas e jogadores que tenham os mesmos objetivos e tentem ser melhores 1% a cada dia. Lembrem-se sempre: se sacrifício fosse fácil, se chamava “sacrifácio”. Quando toda a tormenta passa e a gente começa a ver todos os resultados positivos, não existe sensação melhor no mundo!


O TI10 acontece entre os dias 5 e 15 de agosto em Estocolmo, na Suécia. A competição terá uma premiação total de US$ 40 milhões e 18 equipes participantes.

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