Pró player das Panteras comentou sobre o campeonato mundial feminino de CS:GO

A FURIA foi campeã da divisão sul-americana do ESL Impact e garantiu sua vaga nas finais do campeonato mundial de CS:GO feminino. Um dos destaques do campeonato regional e da equipe brasileira, Olga “olga” Rodrigues irá disputar seu primeiro campeonato em LAN com a FURIA

O Esports GG Brasil teve a oportunidade de conversar com olga, que falou sobre o que esperar do time nos jogos, bem como a expectativa de levar o título do campeonato mundial feminino de CS:GO. Além disso, a jogadora também comentou sobre os incentivos da Valve ao cénario feminino.

Outros times, FURIA e ESL Impact

Quando perguntada sobre os times adversários, a player se sente confiante. Comenta que é muito difícil achar conteúdo das adversárias do exterior, da mesma forma que é difícil achar conteúdo dos times brasileiros, por conta da estrutura dos campeonatos. Entretanto, devido ao longo período de treinamento, olga diz que a FURIA chegará totalmente preparada para o campeonato.

A atleta comentou dos treinos de longa duração que fizeram no bootcamp, realizado nesse último mês. Diariamente, chegavam a treinar entre 10h a 13h no total, contando os treinos conjuntos e individuais, com outros times, reviews de partidas e aprimoramento de táticas. “Agora está mais leve no sentido de não aprender coisa nova, mas sim acertar aquilo que já temos“. Adiciona ainda que viu evolução no time após o período de bootcamp e que as jogadoras pretendem realizar outro para os próximos campeonatos desse ano.

Vendo os outros times, tem uns que eu acho que nós vamos amassar.

A jogadora adiciona também que sente que a FURIA vai ter dificuldade na disputa contra as equipes Nigma e CLG. Entretanto, em clima de brincadeira, fala sobre a superioridade das Panteras

“Eu vi o jogo das meninas. Dos times que vão lá os únicos dois que eu sinto que vão dar trabalho vai ser a Nigma e a CLG. São os únicos times que eu vejo que tem uma estrutura legal de time, noção e leitura. Vamos focar em dar espanco. Não só ganhar, a gente quer amassar sem passar sufoco”, comenta olga, que ainda acrescenta que a equipe irá trazer coisas novas, principalmente para os rounds pistols.

Foto: Reprodução/Instagram

Time equilibrado, confiança maior

A final da ESL Impact acontecerá em Dallas, de forma presencial. Assim, o evento irá marcar também a primeira LAN de olga. Contudo, isso não deixa a rifler com medo, mas sim animada e, ao mesmo tempo, confiante. Isso porque ela sabe que está no meio de jogadoras que já disputaram e ganharam várias LANs que disputaram anteriormente.

Ela conta que sempre bate ansiedade nos primeiros jogos, independente do oponente, mas isso não é motivo para se abalar, por conta da confiança que possui no seu time. Relata que o equilíbrio entre as cinco jogadoras da FURIA (além do controle dentro do servidor), a tranquiliza, algo que não acontecia tanto em sua antiga equipe, Black Dragons.

O que eu sentia na BD é que se eu era anulada, eu e a Yungh, principalmente, a gente tinha muita dificuldade de ganhar. Hoje em dia não, se eu sou anulada, meu time joga de boa, meu time vai ganhar. E isso ajuda todo mundo a ficar tranquilo. Isso acaba levando a gente a jogar com uma certa atenção, certo carinho.

Entretanto, mesmo sabendo que seu time tem um bom equilíbrio, olga se destacou na etapa regional da ESL Impact. Com um rating de 1.12, de acordo com o HLTV, a player diz que não sente tanta pressão por saber que o time possui a mesma média e se mantém focada em melhorar.

“Eu não preciso ser a estrela pra gente ganhar, não preciso matar 30 pra gente ganhar, porque vai ter outra pessoa do time matando 30. Desde que eu entrei na FURIA eu percebi que as meninas nunca estão satisfeitas, mas não no sentido ruim, mas no sentido que a gente sabe que podemos ser melhores do que estamos sendo. É isso que faz a gente ser tão dominante, essa noção de que a gente pode mais e que mesmo ganhando sem dificuldade, a gente comete alguns erros. Então é só assim de achar que nunca tá bom mesmo que a gente vai conseguir manter a evolução em dia e continuar dominante. É o que a gente espera né?”, conclui.tr

Cenário feminino, CS:GO e VALORANT

Acho que nunca teve um ano com três campeonatos mundiais e ainda com duas vagas pro SA. Isso é inédito. Pode ser sim uma virada de chave.

Em relação ao cenário feminino brasileiro, olga espera a volta de outros campeonatos além do ESL Impact, como o WESG e IEM. Ao comparar o cenário competitivo de CS:GO com o cenário competitivo de VALORANT, a jogadora brinca, mas é direta na crítica à Valve. Contudo, ela se mantém esperançosa com o cenário feminino de CS:GO.

“A gente consegue ver a Valve como o pai que foi comprar cigarro e nunca mais voltou, ele só criou ali o filho e tchau. E eu nem tenho receio de falar mal do jogo que eu jogo, os caras nem ligam também. Quero que [o cenário] continue crescendo sim, não por uma questão de ‘eles (Riot) estão investindo e a gente (Valve) não, então vamos investir também’, mas sim porque eles gostam do jogo e querem ver o cenário feminino vivo”, pontua.

Ao ser questionada se já cogitou migrar para o FPS da Riot, olga afirma que recentemente estava estudando as possibilidades. “Em dezembro eu já estava pensando. Tipo as meninas já não estavam querendo disputar no Brasil os mesmos campeonatos, vendo o outro FPS crescendo absurdamente e pensando: ‘pô, se eu não migrar agora vai ser mais difícil depois, então já que não tem nada no CS por que não?‘”, indagou. Por mais que seja visível a diferença de suporte oferecidos pela Riot Games e pela Valve, a player diz que, por agora, pretende focar em sua carreira no Counter-Strike.

Eu quero conquistar tudo no CS. Enquanto eu ainda tenho bala pra trocar, enquanto eu ainda tiver suporte, eu quero continuar.

Ela ainda confessa que apenas mudaria sua carreira se o cenário competitivo feminino de VALORANT crescesse absurdamente em relação a premiações e quantidade de campeonatos internacionais. Nesse caso haveria uma possibilidade, mas nada conciso.

Só se tiver mudanças. Por exemplo, esse ano ta sendo legal pro cenário (de CS:GO), vamos supor que isso se mantenha todo ano, mas ao mesmo tempo o do VALORANT cresça absurdamente em premiação, quantidade de campeonatos internacionais, ai talvez mais pra frente eu mudaria, mesmo com esse suporte para o CS“, afirma.

Entretanto, Olga mantém aberta a porta para uma futura migração de jogo. “Eu mesma já to ficando velhinha, então eu vou me dedicar ao máximo ainda nesse jogo e aí talvez eu vou brincar um dia no VALORANT“.

Olga quer o mundo

Olga com camisa da FURIA – Foto: Divulgação/FURIA

A jogadora finaliza o papo falando sobre sua sede em ganhar o mundial, além de pontuar que muitos times do exterior que eram dominantes no cenário de CS:GO acabaram migrando, o que a motiva ainda mais a batalhar pelo título.

Tendo mais campeonato mundial, tendo mais suporte, quero conquistar tudo que não conquistei ainda. Quero ir pro mundial, quero ter a chance de ganhar um mundial. Sei que é difícil mas só de ir eu já tô muito feliz, mas acredito que agora talvez tenhamos mais chance, já que alguns times dominantes lá fora que eram de CS migraram para o VALORANT. E é um talvez com muita confiança que eu falo, porque nunca tivemos um time feminino numa final de mundial. Já seria histórico só de ir pra uma final. Agora a gente ta com a chance em dobro, tem a gente e a BD“.

As finais da ESL Impact acontecem em Dallas, entre os dias 3 a 5 de junho. O torneio, que distribuirá um total de $123 mil dólares em premiações, terá a presença de dois times brasileiros, sendo eles a FURIA, de olga, e Black Dragons, ex-time da rifler. Para acompanhar o torneio, fique ligado no esports.gg para as últimas novidades e atualizações sobre CS: GO.

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Catarina Pimenta -

Catarina Pimenta

Nascida em São Paulo, amante dos games, aspirante a jornalista e streamer nas horas vagas.