Em entrevista ao Esports.gg, Fly, diretor do MIBR, falou sobre diversos temas envolvendo a organização.

Yuri “Fly” Uchiyama é CEO da Gamers Club e diretor do MIBR no Brasil. O executivo foi contratado após a polêmica saída dos jogadores que hoje atuam pelo O PLANO. Na ocasião, não houve acerto entre as partes e cada um decidiu seguir seu rumo. Hoje, o MIBR conta com uma equipe composta por Ricardo “boltz” Prass, Gustavo “yel” Knittel, Marcelo “chelo” Cespedes, Bruno “shz” Martinelli e Raphael “exit” Lacerda, além de Daniel “danoco” Morgado na reserva.

Em entrevista ao Esports.gg, o diretor da tag brasileira falou sobre seu trabalho como executivo da organização, equipe academy, trabalho de aproximação com a torcida e mais; confira a conversa abaixo.

MIBR e Fly: trabalho e pressão

Você foi anunciado como diretor do MIBR em janeiro. Como tem sido o trabalho desde então?

Fly: O trabalho tem sido prazeroso, pois amo o MIBR. Ao mesmo tempo é muito desafiador, pois sou também CEO da Gamers Club e meu tempo está dividido. Conseguimos estruturar uma equipe de trabalho excelente e que já colhe bons frutos: mudamos os jogadores do R6 e ficamos em terceiro lugar do mundial, a line de CS:GO feminina já ganhou um grande título e sempre está nas finais, e o time de CS:GO masculino já levantou seu primeiro troféu (CBCS). A torcida, assim como eu, é bem exigente e estamos trabalhando fortemente para melhorarmos a performance de todas as nossas equipes, além de conteúdos que conectem os jogadores com os fãs.

A sua nomeação veio depois de muita polêmica envolvendo os jogadores que hoje atuam pelo O Plano. Com isso, muitos torcedores ficaram desconfiados com o andamento da gestão. Como foi para você entrar no meio disso tudo para ajustar a operação da organização no Brasil?

Fly: Entendo a frustração de parte da torcida. Aceitei esta função, pois acredito que posso ajudar o MIBR a estar no lugar que ele merece.

Com essa desconfiança, algumas pessoas da comunidade brasileira ficaram um pouco afastadas da torcida do MIBR. Em uma entrevista à seção em língua inglesa do Esports.gg, Playhard, CEO da LOUD, disse que “se você não tem a comunidade, você não tem nada“. Há um esforço do MIBR em recuperar a confiança dessa comunidade?

Fly: O MIBR continua sendo um dos recordistas olhando os números de espectadores nas transmissões, o que mostra que grande parte da torcida ainda acompanha o clube. Estamos fazendo grandes esforços para que os fãs sintam orgulho do time que torcem. Criamos um email de contato direto comigo (fly@mibr.gg) com mais de dois mil emails respondidos, formamos o grupo da Velha Guarda (incluindo Paulo Velloso e ex-jogadores) que tem nos dado várias ideias e apoio, estamos dando todo o suporte necessário para todas as modalidades. Estou muito confiante que iremos encantar novamente a nossa torcida, pois merecem isso.

Você se sentiu pressionado em algum momento com o convite?

Fly: Com certeza é uma grande responsabilidade, e como aceitei tenho dado o melhor de mim.

Por falar em pressão, jogar no MIBR significa estar pressionado por bons resultados em todos os jogos. Como a organização busca trabalhar essa questão entre seus jogadores e staff?

Fly: Busco conversar periodicamente com os jogadores, além de termos uma comissão técnica para cada modalidade e dois psicólogos renomados que atuam diariamente com nossos jogadores.

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Fly é diretor do MIBR desde janeiro de 2021. Foto: Divulgação/MIBR

Reestruturação da operação e dificuldades nos servidores

Após as saídas dos jogadores que hoje jogam pela tag O Plano, houve uma reestruturação da operação da organização aqui no Brasil. Isso foi algo feito com base nas críticas que o MIBR vinha sofrendo ou já era algo pensado anteriormente?

Fly: Acredito que a repercussão dos últimos acontecimentos fez com que o MIBR fosse novamente gerido por brasileiros.

O MIBR vem enfrentando algumas dificuldades que a equipe enfrentou no Brasil quando atuava pela BOOM. A partir do momento que a equipe não ganha os jogos, a torcida cobra e a pressão aumenta. Como você acha que isso influencia a equipe?

Fly: A torcida espera que o MIBR seja um time vitorioso. Nossa comissão técnica e psicólogos ajudam os jogadores nisso. Se você quer jogar em um time grande tem que aprender a lidar com este tipo de pressão.

A equipe MIBR academy

O MIBR anunciou recentemente a criação do elenco academy. Esse time irá contar com jogadores mais experientes ou apenas jovens promessas?

Fly: O objetivo do Academy é termos jogadores quem em um ou dois anos possam ser escalados no time principal, caso a comissão técnica veja necessidade. A idade é um fator para avaliarmos, mas não um critério. A comissão técnica do Academy será a responsável por liderar estas escolhas, que ainda não estão definidas.

Em quais campeonatos a equipe academy irá jogar no Brasil?

Fly: Todos os campeonatos brasileiros que forem permitidos. Campeonatos que valem pontos para o Major ou qualificatórios que o time principal já está classificado provavelmente a equipe não irá jogar, devido às regras do torneio.

Essa ideia da academy foi desenvolvida com os resultados negativos da line atual ou se já era algo planejado?

Fly: Precisamos plantar hoje para colher no futuro. Mesmo com bons resultados, em algum momento os jogadores poderão parar de jogar ou irem para outros times. Sempre defendi projetos como esse, não foram os resultados atuais que influenciaram.

Sobre o danoco, qual será o seu futuro? Talvez a academy?

Fly: No momento ele é o sexto jogador do MIBR. Esta decisão será feita por ele e as comissões técnicas (time principal e Academy).

O futuro do MIBR

O MIBR já tem equipes no Rainbow Six, CS:GO feminino e masculino e uma line up academy. Há planos para uma futura inclusão de outra modalidade com tag MIBR?

Fly: Estamos sempre avaliando as oportunidades que possam agradar nossa torcida. No momento não temos uma nova modalidade definida.

Quais são os objetivos da organização em curto, médio e longo prazo?

Fly: No curto prazo queremos garantir uma boa estrutura de trabalho para toda a equipe e jogadores, o que já estamos fazendo, além de aumentar a conexão com a nossa torcida. No médio e longo prazo queremos ser uma organização vitoriosa, que ajude na construção da nossa comunidade e também apoie causas sociais. Queremos ser o time mais amado pelo brasileiro e um dos mais reconhecidos no mundo.

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Bruno Martins -

Bruno Martins

| Twitter: @yo_brunoM

Jornalista. Na cobertura de esports desde 2018 e especializado em jogos de FPS como CS:GO e Rainbow Six.